Cecília Vilas Boas

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

um dia, em qualquer tempo...




Se o tempo fosse o vento
Ou se o vento fosse o mar
Os meus olhos encontrariam os teus
Na encruzilhada das marés

Se as madrugadas fossem o renascer
E o renascer fosse a vida
As tuas mãos seriam o meu aconchego
Ao raiar do dia

E se a dor fosse a cura
E a cura a paixão
O teu corpo seria o meu templo
Nas escarpas do desassossego

Ou se as palavras fossem mansas
E a mansidão fosse a voz
O teu sorriso seria a minha luz
Nas trevas da noite

Mas o tempo não é o vento
As madrugadas não são o renascer
A dor não é a cura
E as palavras não são mansas

Um dia, em qualquer tempo,
Mesmo que já sem tempo
Entenderás que a brisa morna me aquieta

Um dia, em qualquer tempo
Mesmo que já sem tempo…


Cecília Vilas Boas