Cecília Vilas Boas

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Prece...


 

Meu Deus

Hoje quero banhar o meu corpo na fonte das águas luzidias
Quero descansar na suavidade do vento
Deixar-me seduzir pelo sussurro do silêncio…

Aqui, onde não existem trevas nem almas mundanas
Onde as vaidades, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida não têm lugar
Sinto que aqui, a paz trazida pelos mares dilui a corrupção do mundo
Fecho os olhos e visto-me de fragrância a quietude…

Fortifico-me no caminho estreito onde a justiça e a natureza pura dos corações impera

O amor é um verdadeiro tesouro mas resguardemo-nos do Homem abominável, pois esse será humilhado sem condescendência e descerá sobre ele o corolário do ego e da sua vaidade

Mas fixemo-nos no sol, no brilho dos olhos das crianças
Na sua inocência…
Belíssimos os sorrisos e os sonhos que planam na natureza que Deus criou

De que vale a moral para o gentio cujos corpos se despem em sinal de convite
Trajes sedutores, decotes que convidam a uma viagem ao mundo carnal
Tudo está em saldo, até a dignidade

Hoje apetece-me esquecer o mundo e ficar no silêncio de mim
Admirar a beleza resplandecente do céu
Escrever pureza no verde dos montados

E à noitinha…
Escutar o vento que sopra de mansinho e me segreda esperança

Lancem-se ao fundo do mar os brocados e as jóias
As mentiras e as vaidades
Que o ego desfaleça
Enalteçam-se os corações e a humildade
A pureza e a simplicidade

Mesmo, ainda que de chinelos, vestes simples, 
Sejamos leais e frágeis,
Recatados e dignos

Dignos do sopro da vida que nos é concedido
Concedido gentilmente por Ele, todos os dias da nossa existência.


Cecília Vilas Boas



imagem retirada da net