Cecília Vilas Boas

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

onde moram as aves...

Trazem uma história na voz
E o mirante no olhar
Pedra sobre pedra
Anéis de ventos
Onde moram as aves
Cantam palavras clandestinas com tempo habitado
E pelas frestas da voz
Ressoa esperança e caminhos que ousam confiar
Renascem memórias
Compõe-se o silêncio
E a palavra amacia os lábios
E as sílabas do espaço que é de todos
Ditam-se pedaços de sentires sem pontuação
Nada é definitivo, apenas a vida que o tempo escreve
As asas das aves não se confundem com o céu
Nem os cânticos com o vulgar
São páginas de letras intensas onde o corpo acaba por adormecer.

Cecília Vilas Boas
(a editar)