Cecília Vilas Boas

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Árvore

No cimo daquela árvore que trepava na minha infância
sentia-me adulto, dono e senhor de tudo
Á descida era rei deposto.
Levava os pulmões extasiados de ar puro.
Em casa era um rapaz.
Fingia ser surdo-mudo.
Preferia o canto dos pássaros,
o murmúrio do vento, o latejar das folhas da minha árvore...
Preferia perscrutar-me,
conversar horas e horas, tardes inteiras
e escutar-me...
Era o meu melhor amigo.
Esse lugar,
essa árvore em cujos ramos me sentava
era testemunha dessa felicidade,
da liberdade de ser criança,
das fantasias, dos sonhos, das minhas irresponsabilidades.
Tudo se me perdoava- era um menino.
Eu é que ainda não me perdoei...
Cresci,
falo como um adulto...
Troquei minha árvore por cafés e bares soturnos,
por conversas de circunstância troquei a prosa dos pássaros,
troquei o meu futuro, os meus sonhos, os meus passos
e perdi... Sinto-me perdido.
Queria ainda sentar-me nesses ramos,
ser criança por mais um dia
e deleitar-me...




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