Cecília Vilas Boas

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Chuva

Quatro da manhã.
A chuva bate na minha janela.
Um trovão mais forte ecoa pelo quarto dentro.
Acordo.
É boa a sensação.
Agarro em papel e lápis e logo dou por mim a escrever, sem qualquer pretensão.
Apenas para aliviar a alma.
Está escuro lá fora.
A chuva cai sem cessar.
Questiono as minhas decisões e atitudes perante a vida.
Diariamente vivo em corrupio.
Dou de mim, colaboro, sorrio.
Nos poucos momentos a só, interiorizo, questiono.
Mostro aos outros a felicidade, rosa, azul bebé.
Escondo para mim o desejo de a efectivar.
Aparentemente forte, efectivamente fraca.
Aparentemente independente, efectivamente dependente.
Ouço o temporal lá fora.
É bom sentir protecção no aconchego da casa.
As árvores sacodem as suas folhas, como se quisessem libertar-se.
A noite vai e o dia nasce.
O silêncio da noite dá lugar ao burburinho da cidade.
Não quero.
Vou fechar os olhos e sonhar.


OA.S



6 comentários:

  1. Gostei muito do texto. É quase sempre mais lindo o sonho que a vida, infelizmente. Mas sonhe, sonhar é bom demais! Um abraço.

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  2. Sim, o sonho é o alimento da alma.
    Obrigada Côvo, volte sempre.
    Abraço

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  3. Que lindo amiga!És uma poetiza mui sensível.
    Parabéns!

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  4. O doce burburinho da chuva aquieta a alma.
    Lindos versos, Poeta!

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  5. Regina, sem duvida que sim, a chuva, ritmadamente, acaricia-nos a alma.
    bjs
    oa.s

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