Cecília Vilas Boas

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

NOITES SEM LUAR

No meio da festa,
Ela está a espreitar.
Seu cheiro invade o ar,
Vejo suas sombras, pra lá e pra cá.
Sempre a me fitar.
Não é loucura, conheço aquele olhar.

Vem como as chuvas de inverno,
Silenciosa e sem nada avisar.
Um abraço fraterno ela tenta me dar,
Eu tento mais uma vez esquivar.
Mas é inútil, já estou vazia,
Não sinto mais o calor do dia,
Nem percebo as noites com luar.

É minha sina desde menina,
Precisei aprender a aceitar.
Não importa o que eu faça,
Ela não para de me chamar.
Diz que sou uma simples mortal.
Que é natural parar para descansar.

Que preciso trocar a roupagem,
Para lhe acompanhar,
Pois logo as luzes irão se apagar.

Acabou-se a festa.
Chegou a hora de me entregar,
Simplesmente me deito e me deixo levar.
Não é um lugar tão distante,
Apenas não consigo ter forças para retornar.

É um mundo cinza, vazio, sufocante,
Onde as noites não tem luar,
E ninguém poderá me acompanhar.
nesse meu hibernar.
Não é para sempre, eu sei.
Um dia, terei forças e conseguirei enfim me libertar.

Por Regina Gois

2 comentários:

  1. Olá querida! Obrigada pela visita.
    Adorei o seu blog.
    A foto ficou ótima, tem tudo a ver com a poesia.
    Um forte abraço!

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  2. Eu é que agradeço Regina.
    Parabéns pelos seus poemas, dizem muito...
    A poesia muitas vezes traduz aquilo que não conseguimos expressar de outra forma.
    um beijinho

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