Cecília Vilas Boas

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tem momentos na vida

Tem momentos na vida
De se sentar à beira dum rio
Indo sem pressa para o mar
Para um encontro de amor
Entre o doce e o salgado.

Tem momentos na vida
De se escrever um nome,
Com o graveto da paixão,
Na areia molhada da praia
E ficar o tempo todo torcendo
Para a onda não apagá-lo.

Tem momentos na vida
De se buscar o silêncio
Para ouvir a voz interior,
Sinal vermelho de advertência,
Para evitar as trombadas do mundo.

Tem momentos na vida
De se falar com o Alto
Em código Morse do coração
E aguardar a resposta
Pelo telégrafo da alma.

Tem momentos na vida
De sentar na rede da varanda
Ver o sol escorregando,
Como brincadeira de criança,
No seu dourado escorregador
Caindo atrás das montanhas.

Tem momentos na vida
De fincar os pés no chão
Enraizar como o carvalho
Para que se possa fazer parte
Do mundo concreto, real.

Tem momentos na vida
De libertação consciente
Saindo de dentro do espelho
Sem um pio de lamentação
Porque lamentar significa
Não ter feito nada na vida.

Maria Hilda de J. Alão



sábado, 26 de fevereiro de 2011

Instante

Deixai-me limpo
O ar dos quartos
E liso
O branco das paredes
Deixai-me com as coisas
Fundadas no silêncio


Sophia de Mello Breyner Andresen



Bring Me To Life

Pensar...sentir

"A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento.
Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver.
Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar."



Fernando Pessoa




Quando eu morrer...

"Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar.
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua."


Sophia de Mello Breyner Andresen



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Minha força...

"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."


Clarice Lispector




terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Carpe Diem

"Estar preparado es importante, saber esperar lo es aún más, pero aprovechar el momento adecuado es la clave de la vida"


(Arthur Schnitzler )


Ás vezes ouço passar o vento ...

"As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."

Fernando Pessoa




Selinho OA.S

Dedico este selinho a todos aqueles que apreciam e vivem Poesia, como eu. 





Para quem quiser seguir as regras dos selinhos:
- exibir a imagem do selo que acabou de ganhar - postar o nome do blog q te pertence - indicar 10 blogs de sua preferência

SC de Sonia Pallone



Parabéns Sónia, é lindo!!

http://solidaodealma2.blogspot.com/

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Laurie Anderson - Freefall

I remember where I came from
There were tropical breezes and a wide open sea
I remember my childhood
I remember being free.




Final de dia

Árvores nuas.
Pingos de chuva.
Olhares distantes.
Visão fatigada.

Fila parada.
Dia findo.
Céu cinzento.
Nuvens negras.

Semblantes pesados.
Gente vazia.
Pensamentos dispersos.
Ilusão de nada.

Noite.
Lua.
Luz.
Nada.

OA.S



Brilho das Luzes 2
Foto António Caeiro

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Selos

Obrigada Côvo por mais estes dois selinhos.
Pequenos gestos só podem vir de Alma grande.

Dedico-os a todos os que me seguem com carinho.
beijos




Missão

Eis um teste para descobrir
se a tua missão na terra
está terminada:
Se estás vivo,
não está.

Richard Bach, Ilusões




quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Selos

Fiquei muito feliz ao receber os meus 2 primeiros selos.
Obrigada Côvo pela simpatia.
Aproveito para agradecer a todos os que visitam o meu blog.
São sempre bem vindos!!



Agora as regras:

No caso do selo de qualidade deve enumerar dez coisas sobre você e posteriormente indicar dez blogs a quem deseja indicá-lo.
1- Conte um sonho que você tem. (Ser Feliz)
2 - Uma frase que lhe veio na cabeça. ("A única forma de ter um amigo é ser amigo" - R.Waldo Emerson)
3 - Seu maior medo. ( Ser Injusta)
4 - Um livro que você leu e ficou sonhando. (Ilusões - Richard Bach)
5 - Seu melhor amigo. (São poucos mas especiais)
6 - Uma música que o faz sonhar. (Golden melody - A time for us)
7 - Um amuleto. Especificar. (Não tenho)
8 - Um sonho que você teve e ficou com medo (Não me recordo)

Blogs que recomendo:
recomendo com toda a certeza aqueles que sigo, mas já que tenho que indicar 10, e sem desprimor para os restantes, aqui fica (por ordem alfabetica) o SELO DE QUALIDADE:
A Peregrina, Contos Cronicas e Poesias, Enchante, Eu vou gritar para todo o mundo ouvir, Fala comigo Doce como a chuva, La vida es un instante, Mundo suspenso, Não vale a pena perder tempo aqui, Poesia em flor, Sentidos.

Já agora aproveito para referir mais 4, sendo tematicamente diferentes, vale a pena espreitar:
CaeiroFotografias, Desfabulações, Monsaraz em Fotos, Orquestra Popular de Paio Pires.

Um abraço
OA.S



Revelo tudo e não digo nada

Em passos incertos,
sem rumo,nem prumo,
sem fim, assim caminho.
A que lugar levo todas as ilusões de
minha vida?
Revelo tudo e não digo nada.
Será pois o viver, uma questão dialética?
se nasce morrendo, se vive morrendo ou
se morre nascendo, se morre vivendo?


AjAraújo



Soneto de Desistência

Desisto de lutar, em vão,
a todo momento,
de manter acesa a emoção,
de cultivar este sentimento.
Desisto, com muita tristeza,
de tentar enganar meu coração,
pois, cansei de tanta incerteza,
só quero agora a verdade, ainda que seja a decepção.
Porém, não estou desistindo
para todo o sempre,
não de verdade.
Pois, este sentimento continuará existindo,
no anonimato, e talvez um dia, no meu coração entre
e fique, durante toda a eternidade !

Anderson Douglas Ribeiro


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Rain

"Chove.
Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove.
O céu dorme..."

Fernando Pessoa



Chuva

Quatro da manhã.
A chuva bate na minha janela.
Um trovão mais forte ecoa pelo quarto dentro.
Acordo.
É boa a sensação.
Agarro em papel e lápis e logo dou por mim a escrever, sem qualquer pretensão.
Apenas para aliviar a alma.
Está escuro lá fora.
A chuva cai sem cessar.
Questiono as minhas decisões e atitudes perante a vida.
Diariamente vivo em corrupio.
Dou de mim, colaboro, sorrio.
Nos poucos momentos a só, interiorizo, questiono.
Mostro aos outros a felicidade, rosa, azul bebé.
Escondo para mim o desejo de a efectivar.
Aparentemente forte, efectivamente fraca.
Aparentemente independente, efectivamente dependente.
Ouço o temporal lá fora.
É bom sentir protecção no aconchego da casa.
As árvores sacodem as suas folhas, como se quisessem libertar-se.
A noite vai e o dia nasce.
O silêncio da noite dá lugar ao burburinho da cidade.
Não quero.
Vou fechar os olhos e sonhar.


OA.S



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Prece

Hoje,
a minha Prece
é para ti.


OA.S



Um amor perfeito

(...)Tu és o meu amor perfeito, que me compra colares e me escreve bilhetes, que me dá a mão na rua, que me abraça no meio de todas as praças e me leva para a cama sem hora marcada. Tens um sorriso enorme e sempre que olhas para mim, sinto uma fábrica de borboletas no estômago e tenho vontade de rir e de chorar ao mesmo tempo, porque sabes fazer-me a pessoa mais feliz do mundo.

Não sei em que país vives ou de que planeta desceste, mas tenho a certeza que vives na terra e que, tal como eu, sonhas com um amor perfeito, feito de paz e de açúcar, um amor seguro e tranquilo que a distância não mata nem o silêncio consome. Pode ser que te torne mesmo verdade e um dia destes entres pela porta da minha casa e me digas que nunca mais te vais embora. Mas, mesmo que nunca venhas, és o meu amor perfeito, a imagem idealizada do que desejo e mereço, o sonho que me faz acordar e sentir-me outra vez com dez anos, com estrelas no olhos e o coração cheio de açúcar. (...)
 
Margarida Rebelo Pinto in, Textos inéditos
 
 


Aún sueño...

El sueño que yo soñé
tiene alas de cóndor,
mora en las cumbres
que acarician las nubes
en eterno silencio.
Al cerrar los ojos
el alma se abre,
nace la fantasía,
un manojo de ilusiones
y el cóndor levanta vuelo
abarcando la eternidad.
El sueño que yo soñé
viaja en mis pupilas
por los anchos mares,
en profundas simas,
donde se oculta el amor
que permanece puro,
sin amargas amarguras
ni dolores no llorados,
sin mentiras ni falacias,
oculto del mundo permanece
el sueño que yo soñé...
Que el amor existe!
Que el amor es bello!
Que amar es vivir!

Ninfa Duarte


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estou só.
Ressoam vozes, gargalhadas, gritos.
Vivo em espiral, correndo num turbilhão, atropelada por aqueles que sabem ou pensam saber qual a sua missão nesta vida.
Estico a mão, mas não sou vista.
Corro como todos. Sou pressionada a fazê-lo.
Mas quem pára este mundo, quem pára a roda viva do sarcasmo?
Quem mostra indulgência?
Continuo na neblina ansiosamente à espera dum rasgo de sol.
No meio do ruído dificilmente se ouve o silêncio.
Apenas se ouve o som ensurdecedor proferido pelos soberanos.
Quais são os valores do mundo?
Estou só.
Sou só.



OA.S

Photo by Sascha Hüttenhain








sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Se sou alegre ou sou triste?

Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?
Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.
Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim…
Minha tristeza consiste
Em não saber bem de mim…
Mas a alegria é assim…

Fernando Pessoa

Quem sou

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-la?
Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

Fernando Pessoa

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Árvore

No cimo daquela árvore que trepava na minha infância
sentia-me adulto, dono e senhor de tudo
Á descida era rei deposto.
Levava os pulmões extasiados de ar puro.
Em casa era um rapaz.
Fingia ser surdo-mudo.
Preferia o canto dos pássaros,
o murmúrio do vento, o latejar das folhas da minha árvore...
Preferia perscrutar-me,
conversar horas e horas, tardes inteiras
e escutar-me...
Era o meu melhor amigo.
Esse lugar,
essa árvore em cujos ramos me sentava
era testemunha dessa felicidade,
da liberdade de ser criança,
das fantasias, dos sonhos, das minhas irresponsabilidades.
Tudo se me perdoava- era um menino.
Eu é que ainda não me perdoei...
Cresci,
falo como um adulto...
Troquei minha árvore por cafés e bares soturnos,
por conversas de circunstância troquei a prosa dos pássaros,
troquei o meu futuro, os meus sonhos, os meus passos
e perdi... Sinto-me perdido.
Queria ainda sentar-me nesses ramos,
ser criança por mais um dia
e deleitar-me...




http://rb-covo.blogspot.com/2011/02/arvore.html#axzz1DZ5tFYzP

O Espectáculo da Vida

"Que você seja um grande empreendedor. Quando empreender, não tenha medo de falhar. Quando falhar, não tenha receio de chorar. Quando chorar, repense a sua vida, mas não recue. Dê sempre uma nova chance para si mesmo.
Encontre um oásis em seu deserto. Os perdedores vêem os raios. Os vencedores vêem a chuva e a oportunidade de cultivar. Os perdedores paralisam-se diante das perdas e dos fracassos. Os vencedores começam tudo de novo.
Saiba que o maior carrasco do ser humano é ele mesmo. Não seja escravo dos seus pensamentos negativos. Liberte-se da pior prisão do mundo: o cárcere da emoção. O destino raramente é inevitável, mas sim uma escolha. Escolha ser um ser humano consciente, livre e inteligente.
Sua vida é mais importante do que todo o ouro do mundo. Mais bela que as estrelas: obra-prima do Autor da vida. Apesar dos seus defeitos, você não é um número na multidão. Ninguém é igual a você no palco da vida. Você é um ser humano insubstituível.
Jamais desista das pessoas que ama. Jamais desista de ser feliz. Lute sempre pelos seus sonhos. Seja profundamente apaixonado pela vida. Pois a vida é um espetáculo imperdível."

Augusto Cury


Desejos Vãos

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Regresso

Sem mais nem menos
surgiu o passado,
corpo intranquilo
feito de sons semelhantes
aos rostos que amei,
universo donde me excluí,
mar desprovido de cais
na obliquidade dos contrastes.

Esta noite voltei à minha infância:
menina rosada de sonhos nos bolsos,
bailarina de corda na caixinha de som.

À infância regressa-se solitariamente,
subindo um rio sem margens,
até ao lugar em que a nascente
se confunde com o tempo
e o tempo se transforma em espanto.

Procuro, teimosamente,
o rasto da brisa
que me invade o corpo
e apenas sei que o sonho
é um risco inquietante,
quando a solidão tem rosto
e se conhece a posição das estrelas
no âmago das palavras.

Reinicio a infância
no esboço do poema
e circunscrevo o litoral
fragmentado do que sou.

Quem foi que descodificou
o céu no meu olhar
e me deixou na alma
um deus imaginado?

Quando o espaço do sonho é circular
como o tempo das cerejas,
ou da migração dos pássaros
que fendem o infinito,
inadiado é o rito da poesia.

Se eu fosse uma gaivota, dançaria
na proa dos veleiros
até à hipnose
de abraçar a maresia.

Graça Pires


postado por

http://spleenbored-minhaspoesiasfavoritas.blogspot.com/2011/02/regresso.html#links

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Na margem do Rio Piedra...

Eu me sentei e chorei.

Conta a lenda que tudo que cai nas águas deste rio - as folhas, os insetos, as penas das aves - se transforma nas pedras do seu leito.
Ah, quem dera eu pudesse arrancar o coração do meu peito e atira-lo na correnteza, e então não haveria mais dor, nem saudade, nem lembranças.
Ás margens do rio Piedra eu me sentei e chorei.
O frio do inverno fez com que eu sentisse as lágrimas em meu rosto, e elas se misturaram com as aguas geladas que correm diante de mim.
Em algum lugar este rio se junta com outro, depois com outro, até que - distante dos meus olhos e do meu coração - todas estas águas se misturam com o mar.
Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe, para que meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele. Que minhas lágrimas corram para bem longe, e então eu esquecerei do rio Piedra, do mosteiro, da igreja nos Pirineus, da bruma, dos caminhos que percorremos juntos.

Eu esquecerei as estradas, as montanhas, e os campos de meus sonhos - sonhos que eram meus, e que eu não conhecia.''


Paulo Coelho


Foto:

A todos que o desejem, e queiram calar a guerra e proclamar Paz!

Por
http://valvesta.blogspot.com/2011/02/exaltacao-paz-neste-mundo-atribulado.html



Não te deixarei morrer

(...) E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu pra sempre. (...)



Trecho do livro Não te Deixarei Morrer, David Crockett, de Miguel Sousa Tavares


Balanço

A pobreza do eu
a opulência do mundo

A opulência do eu
a pobreza do mundo

A pobreza de tudo
a opulência de tudo

A incerteza de tudo
na certeza de nada.


Carlos Drummond de Andrade

Munus a Deum...

O mundo dorme lá fora.
A noite está fria.
Refugio-me no silêncio.
Penso, recordo, revivo.
É nostalgia o que sinto.
No presente vivo.
Resigno-me.
Tudo é uma dádiva de Deus.


OA.S

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Na terra dos sonhos

(...) Na terra dos sonhos podes ser quem tu és, agarras-te à hora em que o tempo não passou e juntos inscrevemos no espaço um novo alfabeto. Já passaram mil anos sobre o nosso encontro, mas o tempo não sabe nada, o tempo não tem razão, porque não há passo divergentes para quem se quer encontrar e enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar. E mesmo que me tenhas ensinado a partir nalguma noite triste, eu ensinei-te a chegar e pus-te a salvo para além da loucura e ensinei-te a não esquecer que o meu amor existe. (...)

Margarida Rebelo Pinto

sábado, 5 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Roxanne's Veil

Warm Hands - OPPP

"Depois do silêncio, aquilo que mais aproximadamente exprime o inexprimivel é a música"

Aldous Huxley





http://orquestrapopulardepaiopires.blogspot.com/

CITY OF ANGELS - FALLEN

Armageddon

NOITES SEM LUAR

No meio da festa,
Ela está a espreitar.
Seu cheiro invade o ar,
Vejo suas sombras, pra lá e pra cá.
Sempre a me fitar.
Não é loucura, conheço aquele olhar.

Vem como as chuvas de inverno,
Silenciosa e sem nada avisar.
Um abraço fraterno ela tenta me dar,
Eu tento mais uma vez esquivar.
Mas é inútil, já estou vazia,
Não sinto mais o calor do dia,
Nem percebo as noites com luar.

É minha sina desde menina,
Precisei aprender a aceitar.
Não importa o que eu faça,
Ela não para de me chamar.
Diz que sou uma simples mortal.
Que é natural parar para descansar.

Que preciso trocar a roupagem,
Para lhe acompanhar,
Pois logo as luzes irão se apagar.

Acabou-se a festa.
Chegou a hora de me entregar,
Simplesmente me deito e me deixo levar.
Não é um lugar tão distante,
Apenas não consigo ter forças para retornar.

É um mundo cinza, vazio, sufocante,
Onde as noites não tem luar,
E ninguém poderá me acompanhar.
nesse meu hibernar.
Não é para sempre, eu sei.
Um dia, terei forças e conseguirei enfim me libertar.

Por Regina Gois

Pequenos Gestos

(...)O mar e o céu vivem de mãos dadas no horizonte. São como siameses que o universo separou para que a terra pudesse existir. Sou mais feliz dentro de água ou acima da terra, e por isso decidi, no cimo das árvores que um dia ia ser piloto e sobrevoar o Mundo. Sempre quis viajar, conhecer todos os continentes, aprender várias línguas, viver em muitas cidades até descobrir um lugar perfeito onde o mar e o céu se encontrem sempre com o meu olhar. Uma terra tranquila sem guerras e com sol, um segredo escondido que não venha em nenhum mapa e onde não tropece em turistas de chinelos caros e chapéus de palhaço rico.
O que eu nunca pensei, minha pequena fada que me esperas ao final da tarde numa casa branca cujas janelas se encontram com o horizonte em que ao siameses se juntam, é que posso voar em terra e mergulhar nas ondas sempre que te vejo, posso chegar ao céu sem ligar os reactores e deslizar sobre as águas com a perfeição dos pequenos gestos(...)

Margarida Rebelo Pinto



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Cofre de silêncios

Guardo um cofre,
Nem de ouro , nem de cobre.
Um cofre.

Um relicário de silêncios que freqüento,
Que não digo, me permito a liberdade,
Um alento, calo o que no acaso sinto.
E medito, sopro e vibro, cordas que tangem,
Descortino...de verdade impossível,
Como a saúde possível no limitado
Tempo e espaço que tenho, sou e faço
A sete chaves.
De silêncios, desatinos,
Destinação a caminho,
Tudo e todos cabem, sentem,
No possível.
Nada é fácil...
Compreensível,
Sempre...

GaiÔ

Mochila Invisível

Transportava sua tristeza nos ombros, como se fosse uma mochila invisível. (...) Voltei-me cada vez mais para minhas fantasias e meus escritos, e foi assim que comecei a me descobrir. Ele se retirou em sua tristeza, barricou-se atrás dela, e eu retirei-me para meu quarto, a fim de escrever.
Erica Jong




The Moment

Jean Genet - Na origem da beleza...

«Na origem da beleza está unicamente a ferida, singular, diferente para cada qual, escondida ou visível, que todos os homens guardam dentro de si, preservada, e onde se refugiam ao pretenderem trocar o mundo por uma solidão temporária mas profunda.»

Jean Genet, O Estúdio de Alberto Giacometti

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Clair de lune

Vazio

Há certos dias
Que sinto em min’alma
Um vazio infinito,
Um vazio sem sentido,
Um vazio indefinível,
Vazio dos ventos e procelas,
Vazio que vem de longe
Cuja origem desconheço,
Maior,
Muito maior que a solidão...
Há certos momentos
Que sinto dentro de mim
Um vazio talvez originário das vagas,
Dos grandes mares
E que às vezes me inunda,
Quase me faz soçobrar...
Há certas horas
Que sinto dentro de mim
Um vazio que se agiganta,
Diante do qual me sinto pequenino
E comparo este vazio tão grande
Ao vazio da hora do adeus...
Mas existe, sim,
Um vazio,
Muito maior do que todos os vazios,
E que se alojam no âmago dos corações,
O vazio imenso da saudade!...

Olimpyades Guimarães Corrêa
Em Neblina do Tempo

Girassol

Girassol na tarde
se curva em reverência:
o sol se vai.

Anibal Beça


O teu retrato

Recordo a tua voz
Era doce,
o teu sorriso,
feito de tons subtis,
teu perfil,
teu nariz.
Desenho sem querer
a tua boca.

Faço um retrato de ti,
a lápis de carvão.
desenho teu cheiro,
o teu abraço
Construo com uma régua,
ao milímetro a paixão.
Não ponho cores no teu retrato
Fica assim..
singelo,sem aparato.

E já sem me lembrar
porque te quis pintar
vou-te pondo à cor que tinhas.
Um leve tom púrpura rosáceo
um quê de nada ácido
um pequeno toque de ouro nas pupilas.

Mais uma linha
no teu rosto de marfim
um leve retoque nos lábios,
no teu beijo acobreado,
no teu desejo tom de carmim

E no fim...
Aí no fim...
Rasgo-te em mil pedaços

[Poema de Alexandra Bello Patronilho in Azul Profundo]


[Foto Olhares.com]

Escreve

"Escreve. Seja uma carta, um diário ou umas notas enquanto falas ao telefone, mas escreve.
Procura desnudar a tua alma por escrito, ainda que ninguém leia; ou, o que é pior, que alguém acabe lendo o que não queiras.
O simples acto de escrever ajuda-nos a organizar o pensamento e a ver com mais clareza o que nos rodeia. Um papel e uma caneta fazem milagres, curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem a esperança  perdida.
As palavras têm poder."

Paulo Coelho

Pablo Neruda-Tus manos

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CONTEMPLO O QUE NÃO VEJO

Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
E quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.
Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.
Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.
Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.

Fernando Pessoa